Just breathe..

a-rosa-do-chico:

Você, que tanto tempo faz / Você que eu não conheço mais / Você, que um dia eu amei demais / Você, que ontem me sufocou / De amor e de felicidade / Hoje me sufoca de saudade / Você, que já não diz pra mim / As coisas que preciso ouvir / Você, que até hoje eu não esqueci / Você que, eu tento me enganar / Dizendo que tudo passou / Na realidade, aqui em mim você ficou / Você que eu não encontro mais / Os beijos que já não lhe dou / Fui tanto pra você / E hoje nada sou.

(via a-rosa-do-chico)


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A,

ruim mesmo é a sensação de não ter pra onde voltar…

L.

(Source: a-rosa-do-chico, via a-rosa-do-chico)

A sedução da queda. Há muito perco-me ao tentar definir em linguagem a sensação que me faz, em cada oportunidade, penetrar-me um pouco mais. Entretanto, as diversas tentativas falhas de definição ornaram-me com desconfiança, uma vez que as facilidade me persuadem à uma momentânea satisfação acompanhada de profundo caos e expectativa porque, inevitavelmente, tal sublime sentir tende a ser insustentável. Num desses mergulhos ao mundo de outrem, me vi incrivelmente seduzida por seus termos: queda, sinto bem.

Cotidianamente, percebe-se que a vociferação inevitável desse tal gênio herdado embarca meus pés e todo o resto ao abismo. De maneira alguma julgo desmerecer tal utopia que leva meu âmago a conhecer-se. Acontece que, quanto mais me dispam, mais cubro o olhar rubro e julgo irritante o ato; facilmente explicado por curiosidade. Facilmente negado pelo abismo. No fundo, a sedução da queda baila a todos, o problema se encontra naqueles que, incapazes de transbordarem-se, acabam também se tornando incapazes de se deixar seduzir, instalados em redoma. Deixo-me em profundo estado de liberalidade, no entanto, não suporto descrentes de si a julgar-me interessante.

É preciso primeiro decair em si, deixar-se contaminar pelos próprios mesquinhos e azedos pensamentos, senti-los puxar pela garganta cada vez mais para o fundo. E ai, quando alcançar-se finalmente a estabilidade, abandoná-la em prol de refúgio, seja vago, seja certo ou azul.

Confesso que, diante de tal descoberta, vejo-me ainda erguendo tais sentimentos viscerais e definindo-os como meus. E, uma vez que ainda me falte o transbordar, queda e a instabilidade, julgo-me indigna de refúgio.

31/02/14

CDM.

willtubarao:

De tudo fica um pouco. Não muito.

willtubarao:

De tudo fica um pouco. Não muito.

(Source: thomasnitrj)

(Source: lespritmodestee, via desapegar-se)

(via desapegar-se)

(Source: willtubarao, via sexoe-afins)

O olhar desencontra. 

Desde então, temi. Tremi por um frio estranho que subia arrepiante a roubar-me o ar. Como de costume nessas ocasiões de frustração súbita, consenti. Eu queria sustentar-me e ter coragem de partir sem nada vida afora, largar mapas, esquecer o quão dolorosas são as escolhas que se impõem. Queria também impor-me. Eu sofro de medo, temo o desconhecido, temo perder o chão. O chão, base dos modernismos e contemporaneidades da vida, base do mal do século que insiste em se instalar em almas sensíveis.

Temo por uma vida de chão, onde imponham limites sobre o alcance das mãos, e pior: da mente. Mas não digo, pois nunca o faço.

Violo sentimentos e interrompo olhares pelo desprazer da solidão. “Mantenha o controle, menina”, mas não sei. Esqueço-me de esquecer e vejo-me todos os dias em grande batalha, onde todos os gritos ecoam dos meus olhos e o afago das mãos arde. Culpada! Diriam os leigos. Culpada, diria. 

Pouco aprendi em quase um quinto de século. Desperdiço palavras ao tentar explicitar indefinições. Suporto como quem vê seus exércitos na iminência de um cerco mortal. Suporto ao perder-me no túnel e colecionar vagalumes cujo brilho se esvai. E confesso, as vezes torço pra que me descubram, e assim eu possa desabar em névoa e solidão.

Quero mais é que dispam-me até restarem apenas o poético e o eu, na lama. Mas nunca vem. Nunca veem. Das mãos soadas e inquietas, tenho de levar mais uma de tantas outras lições, ainda que perceba-me exausta. Somos frágeis, meu caro. 

Ninguém vira jamais que a paz ria-se louca; que a caneta estourada pingava sangue.

CDM.

29/10/13

(Source: pinmein, via retrovisor-soluvel)



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