(via daemonum-animae)
(via daemonum-animae)
Aos toques de Beethoven se constrói a noite janela afora, cintilante e fresca. Não há senão um dia que as perturbações sentimentais não lhe vem a mente. Precisas resolver logo como há de partir. Há dias em que o coração quer ficar, há dias em que o coração quer ruir.
Foi num tempo desses que se mantém em tons pasteis sobre os nossos olhos durante a noite. Nele, imprevisivelmente, as curvas dos lábios faziam-se nos olhos. Gostava desse imprevisto. A cada repetição noturna, os toques pareciam mais suaves. Absorveu as memórias como quem cheira flores. As memórias inflam a mente e… Flamejam a garganta. Flutuava como quem nasce pra ser pássaro, mas nessa vida não se leva os olhos esquecidos sobre os seus se não com uma boa dose de ilusão.
No inicio do grande medo, sem nem contarmos com Robespierre, degolaram-se as tais luminosas esperanças. No meio, havia aqueles olhos por todos os escritos e a mente cansava-se a ponto de odiar a inspiração. Ao expirar, sua ultima lembrança permanecia a roubar-lhe o fôlego e bagunçar a razão.
Por fim, na história, o francês perde a cabeça. E a menina parte do coração.
05/04/13
CDM.
“
(…)
“Mas quando te olho”
Mariane Cardoso
(Source: living-carousel, via bafejos)
Digas-me, ainda que seja em silêncio, o que meus olhos não vêem sair dos teus lábios. Só não me ocultes, moço, os vestígios que me levam ao teu âmago.
Fite-me e exale palavras como se fosse um cheiro doce, ainda que teus labores sejam amargos.
Diga-me qualquer e todo vocábulo que queiras…
(Source: coracao-voraz)
(Source: c-a-n-a-r-i-o, via boanoitecinderela)
(Source: trechosdaliteratura, via doabismoasestrelas)
É preocupante pensar que lembranças tomarão minh’alma sempre que algo me remeter ao simplório passado. De certo, já me conformei quanto à ausência de determinadas presenças, sua leve evasão do meu coração. È verdade que uma parte bem pequena sempre fica? Foi como sentir a brisa outra vez, ou o gosto doce de bombons… Preocupa-me pensar que em tão poucas memórias possa haver tamanho incômodo. Sim, pois sempre que me lembro dos gracejos o incômodo reina de leve sob a minha garganta, a apertar. Algo como um sussurro triunfante que diz que os nossos planos simplesmente foram feitos para as solas. Para o chão.
Há um sussurro pelas manhas, misturando-se ao canto leve de leves pássaros que sempre convence almas a florescerem. Aguardo a minha vez, como de costume. Não é assim tão difícil aguardar, há sempre o prêmio. Nesse caso, o prêmio seria como respirar profundamente, sem que nada pese sob a garganta ou sob os cílios. Inspire, expire.
É bem verdade que algumas lembranças simplesmente não deveriam ter-se então tornado lembranças. Mas como sempre ouço: não se pode controlar tudo. Então relaxo. Passados distantes podem tornar-se coloridos e com aquela leve fragrância que jamais se vira até então. O importante na verdade é não deixar que o vento leve ou dissimule seu estado de espírito na presença passada. Mesmo que ainda haja presença, ainda dê-se importância ou ainda sofra-se a ausência. Não há como explicar, apenas não o deixe levar.
Não há também quem possa entender como luvas tais apelos tênues. Não costumo usar clarezas, pois tais coisas merecem ser escondidas por trás de enfeites, abas ou abraços.
A você, cujos olhos ainda hoje me arrepiam, um abraço.
27/03/2013
CDM.
Jonathan Schipper, To Dust.