Just breathe..

(Source: minhaepopeia, via lielephant)

O Que Amamos Está Sempre Longe de Nós

O que amamos está sempre longe de nós: 
e longe mesmo do que amamos - que não sabe 
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor. 

O que amamos está como a flor na semente, 
entendido com medo e inquietude, talvez 
só para em nossa morte estar durando sempre. 

Como as ervas do chão, como as ondas do mar, 
os acasos se vão cumprindo e vão cessando. 
Mas, sem acaso, o amor límpido e exacto jaz. 

Não necessita nada o que em si tudo ordena: 
cuja tristeza unicamente pode ser 
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira 
com setas negras na escuridão. 

Cecília Meireles, in ‘Solombra’

Inabitável. Costumava, com o riso tranquilo, levar os poréns através de ombros imaginários. Troquei o imaginário por um escape real. Me assusto ao notar quão sombrias são algumas palavras e ações depois de mais uma escapada de mim mesma. Falo muito em vazios e corações partidos, mas como Pessoa, não sinto tudo o que escrevo, mas finjo bem. Finjo tão bem que as contaminações até minh’alma confundem. Esse gargalhar insano e o amargo na garganta, às vezes, são bem reais. E apesar da miudeza dos meus sentimentos em relação ao mundo ou aos anos, torno-me cada dia mais grata aos instantes de felicidade ofuscante e assustadora que me fazem acreditar que há, em algum lugar, liberdade plena. Atualmente, tenho buscado em mim a leveza ao fechar os olhos e abandonar o mundo sem bigorna nos calcanhares. 

Mais do que ninguém, ao habitar essa carcaça torno-me conhecedora dos defeitos de uma humanidade suja e demente. Que sofre de ausências absurdas em prol de presenças inevitavelmente superficiais, e a vejo ridiculamente decair, e caio junto. E morro. Remorro.

Geralmente tudo isso se resume a um montante de palavras rígidas contra mim ou qualquer um. Mas há também a poesia, essa que tem me acompanhado em estados humanos de paixão e mania. Admito a intensidade que alguns tais olhares me causaram, acompanhados de instabilidade e leveza. As mãos trêmulas, inquietas e suadas. Os olhos, o cheiro e os poemas. 

Além dos nossos pais, nossa própria alma, relações nos constroem. Impossível discordar. Não que seja prepotência, por favor, não me leve a mal. Orgulhosamente já tentei me distanciar dos versos do acaso cantados sobre o coração e quanto a isso não há possibilidade que não a frustração. Não pretendo me curar dos efeitos que sofri e até hoje sofro ao encarar de perto o pedaço do meu âmago que reconheço fora de mim, instalados humildemente num outro corpo. Haverá sempre o momento de reconhecimento inicial, os olhares sem graça, a melancolia e os restos. 

Desgasto-me tentando em vão despertar em mim e nos outros o que nos foi bom em comum. O que eu e você não aceitamos nunca, apesar de compreender, é que se deve seguir. O sentido é transbordar. 

09/03/2014

CDM.

Esse teu corpo é um fardo.
É uma grande montanha abafando-te.
Não te deixando sentir o vento livre
Do Infinito.
Quebra o teu corpo em cavernas
Para dentro de ti rugir
A força livre do ar.
Destrói mais essa prisão de pedra.
Faze-te recepto.
Âmbito.
Espaço.
Amplia-te.
Sê o grande sopro
Que circula…
Cecília Meireles (via arborizar)

(Source: flores-e-haicais, via sobversos)

Se não há outra vida, então é preciso construí-la a partir desses pedaços. E no entanto, é uma outra coisa que a alma pede e quer! E em vão o sonhador remexe, como que nas cinzas, em seus velhos sonhos, procurando nessas cinzas ao menos uma centelha para soprá-la e, através do fogo renovador, aquecer o coração esfriado e ressuscitar novamente nele tudo o que antes era tão belo, que tocava a alma.
Fiódor Dostoiévski em ‘Noites Brancas’.  (via oxigenio-dapalavra)

(Source: palaciodoexilio, via oxigenio-dapalavra)

» És um nevoeiro de sandices.

Quando calada me incentiva com olhares a encher tua boca de palavras. Cativa-me com o jeito que expõe teus ideais, de cara nua, querendo mostrar que não andas por ai como o moço da viela que não sabe se vira nessa esquina ou atravessa em direção a outra. Teu corpo se contorce em direção ao meu…

(Source: luisakehl, via oxigenio-dapalavra)

a-rosa-do-chico:

Você, que tanto tempo faz / Você que eu não conheço mais / Você, que um dia eu amei demais / Você, que ontem me sufocou / De amor e de felicidade / Hoje me sufoca de saudade / Você, que já não diz pra mim / As coisas que preciso ouvir / Você, que até hoje eu não esqueci / Você que, eu tento me enganar / Dizendo que tudo passou / Na realidade, aqui em mim você ficou / Você que eu não encontro mais / Os beijos que já não lhe dou / Fui tanto pra você / E hoje nada sou.

(via a-rosa-do-chico)


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A,

ruim mesmo é a sensação de não ter pra onde voltar…

L.

(Source: a-rosa-do-chico, via a-rosa-do-chico)



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